Ato XIV – Existencialismo Gráfico

É imprescindível escrever. Escrever para registrar. Registrar para provar o trabalho. Quem não tem nada escrito, nada fez. Ideias somente pensadas e palavras somente ditas são levadas pelo vento. Conquanto escritas, ficam marcadas a ferro quente no lombo da história.

Paulo Coelho existe mais que você.

A existência é feita de tinta, e o chão, de papel. Existe, mais que outro, aquele que balança a pena como quem balança uma bandeira no alto de uma montanha. Existe, mais que outro, aquele que, por sua causa, árvores são derrubadas e transformadas em lâminas que cortam o tempo e preenchem estantes. Existe, mais que outro, aquele que exige o esforço alheio para que, com olhos, escute o que ele tem a dizer.

Descartes estava equivocado. “Escrevo, logo existo” – esta deveria ser sua máxima, pois, sendo uma verdade inquestionável, rege a nossa história. Assim sendo, sou forçado a afirmar: Sócrates não existiu. Quem existiu foi Platão. Na mesma ordem de ideias, o incêndio de Alexandria tirou de muitos o direito da existência.

[É incrível. Quanto mais o tempo passa, mais sem graça se torna esse blogue].

16/09/2010 at 10:23 6 comentários

Entre-Ato – Duas coisas podem acontecer

Melhor Vídeo pelo júri e voto popular no Festival Mundial do Minuto 2000, Melhor vídeo de Jovem Realizador Festival de Salvador 2000, Direção Flavio Meirelles, locução Dênis Garcia.

16/09/2010 at 10:05 Deixe um comentário

Ato XIII – Decreto

A ASTROLOGIA. Considerada uma ciência até algum tempo atrás, foi destituída de sua posição por suposta falta de metodologia, de critério científico. Pois bem. Eu nasci no século passado, quando já não existiam cientistas astrólogos. Assim, sempre me foi dito que o horóscopo nada me ajudaria na busca pelo conhecimento. Um pouco contrariado, deixei João Bidu de lado e li Einstein.

Entretanto, nos últimos tempos percebi que o argumento pelo qual a Astrologia foi expulsa do mundo científico, não é aplicado com o mesmo rigor à todas as áreas que pretendem o conhecimento. Quando digo isso, me refiro especificamente à uma pseudo-ciência chamada Meteorologia. Não, ela não estuda os meteoros que caem na superfície terrestre – logicamente, se esse fosse o objeto, quase não haveria formação para tal área. A Meteorologia deveria, então, estudar as variações do tempo climático e fazer previsões a respeito. Mas só deveria. Suas previsões são tão imprecisas quanto às do zodíaco. Pior ainda: o horóscopo é vago, explicitamente vago. A Meteorologia (que significa “ciência do alto dos céus”), por sua vez, é pretensamente precisa, porém, é impossível contar quantas vezes já falhou. Mas todos os dias a mulher do tempo aparece, com seu sorriso de comercial de margarina, sem se desculpar pelo erro do dia anterior, a dizer: “Hoje fará sol, máxima de 30º e mínima de 20º, com vento leste de 35 km/h, bom para empinar pipa”. Lá vou eu de novo sem guarda-chuva para o serviço. Lá venho eu de novo ensopado com 45 mm de chuva forte.

Pergunto eu: “Qual a diferença entre Meteorologia e Astrologia?”

- (…)!?

A partir de hoje, decreto a Meteorologia tão ciência quanto à Astrologia. Melhor é rezar para São Pedro quando eu quiser que chova, ou consultar João Bidu para saber se devo ou não sair de casa.

07/09/2010 at 16:36 1 comentário

Entre-ato – Compêndio dos Parafusos

A volta do mundoScrew wants sex
da ferrugem ao fundo
do uso e  desuso
este é Parafuso

Para tanto buraco
existe emenda
para tanto fuso
chave de fenda

Aperto – atrito
atroz pressão
espana o grito
de um giro em vão

Desce em espiral
amor a dentro
paixão de metal
em acasalamento

[Pequena poesia de minha autoria que publiquei como Entre-ato por não tem que ver com o bjetivo geral do blogue]

07/09/2010 at 16:23 Deixe um comentário

Ato XII – De(fin)ição

- Ora, meu caro, como vinha lhe dizendo,Quatro cabeças pensam melhor que uma. é mister que, ao passo que caminhamos, não demorará muito para a tecnologia nos levar ao novo mundo, à nova realidade, muito melhor que esta. Digo isto porque, como podemos observar, por exemplo, os vídeo-jogos estão cada vez mais realistas e mais interativos. O cinema, então, incorporou a tecnologia das três dimensões causando, muitas vezes, a confusão. Os televisores, por sua vez, adotaram tais recursos, além da alta definição plasmática ou líquida cristalina, ocasionando perplexidade visual aos espectadores. Aliados aos televisores, os reprodutores de vídeo nada carecem em definição, possuindo hoje em dia a tecnologia “Raio-Azul”, dão um espetáculo de imagens. E, para finalizar, há também os teatros caseiros que estão munidos com caixas de som de finíssima qualidade. Enfim, estamos quase em face de uma nova realidade artificial de altíssima definição.

- Mas, bom amigo, com tanta definição, como saberei qual realidade é real?

- (…)!?

- Vou consertar meu vídeo cassete!

30/08/2010 at 9:59 1 comentário

Entre-ato – Ga Ga

Espero tê-lo decepcionado (caso você tenha menos de 18 anos), não há aqui nada relacionado à uma “garota” loira de sexualidade duvidosa (não é uma crítica, eu só tenho dúvidas realmente). O que desejo mostrar aqui é uma música da banda Queen, cujo o nome é “Radio Ga Ga”. Esta música servirá de prelúdio para o meu próximo Ato.

Aí está:

Tradução [letras.mus.br]:

Rádio Ga Ga

Eu me sentaria sozinho e olharia sua luz
Meu único amigo pelas noites adolescentes
E tudo que eu preciso saber
Eu escuto no meu rádio
Você deu a eles todas aquelas estrelas antigas
Entre guerras de mundos — invadidos por Marte
Você os fez rir — Você os fez chorar
Você nos fez sentir como se pudéssemos voar
Então não se torne apenas barulho de fundo
Um apoio para as garotas e garotos
Que não sabem ou não se importam
E só reclamam quando você não está
Você teve seu tempo, você teve o poder
Você ainda terá sua melhor hora
Rádio
REFRÃO:
Tudo que ouvimos é Rádio ga ga
Rádio goo goo
Rádio ga ga
Tudo que ouvimos é Rádio ga ga
Rádio blah blah
Rádio o que há de novo?
Rádio, alguém ainda te ama!
Nós vemos os shows, nós vemos as estrelas
Em vídeos por horas e horas
Nós dificilmente temos que usar os ouvidos
Como a música muda através dos anos
Vamos esperar que você não nos deixe, amigo
Como todas as coisas boas, dependemos de você
Então apareça, pois sentiremos sua falta
Quando crescermos cansados de todo esse visual
Você teve seu tempo, você teve o poder
Você ainda terá sua melhor hora
Rádio
REFRÃO:
Tudo que ouvimos é Rádio ga ga
Rádio goo goo
Rádio ga ga
Tudo que ouvimos é Rádio ga ga
Rádio goo goo
Rádio ga ga
Tudo que ouvimos é Rádio ga ga
Rádio blah blah
Rádio o que há de novo?
Rádio, alguém ainda te ama!

26/08/2010 at 10:38 Deixe um comentário

Ato XI – A doença

O filósofo é um doente. Sofre de uma patologia que faz dele escravo da explicação, do [improvável, impossível] entendimento de tudo. O cientista também tem tal enfermidade, mas não em estado agudo. Ele tem apetite para o entendimento, mas não o entendimento de tudo. Ainda pode ter contato com os sadios, principalmente porque não sabem que ele é um doente. O artista, por sua vez, igualmente ao filósofo, é auto-consciente de sua condição. Entretanto, sua doença é um pouco diferente, sua fixação não é pela explicação, é pela captura. E essa característica causa nele uma deformação na face, deixando sua pele totalmente lisa, como porcelana. Os sãos, então, passam a admirar sua beleza, sem dar conta de que ela [a beleza] é uma enfermidade. O destino do filósofo é mais cruel. Já foi diagnosticado como doente e sofre grande preconceito por isso. Os sadios julgam que sua doença é oriunda da imprudência, falta de prevenção, e o acusam de querer transmiti-la aos demais. Tal doença não tem cura nem tratamento. O filósofo, diferentemente dos sãos, sabe disso, e, infelizmente, não tem opção. Só lhe resta aceitar e seguir o roteiro sintomático.

20/08/2010 at 16:31 4 comentários

Entre-Ato – Monty Pynthon (II)

Desatualizado, eu sei. Enquanto a criatividade não brota, utilizo  daqueles que a colhiam com sobra. Monty Pynthon, do filme “O Sentido da VIda”, da cena “Todo Esperma é Sagrado”.

Aí está:

20/07/2010 at 14:49 Deixe um comentário

Ato X – Amblose

Há algum tempo, escrevi neste blogue sobre o “Paradoxo Temporal do Tempero“, mais conhecido como PTT; alguns dias atrás, comecei a refletir sobre um repetido e polêmico assunto relacionado à ética na medicina: a legalização, ou não, do aborto. Percebi que este tema também possui um paradoxo temporal, e, agora, passo a acreditar que toda a História está repleta desses paradoxos – o difícil é identificá-los.

Vamos ao Paradoxo Temporal do Aborto. Acompanhem-me: Neste assunto polêmico existem dois lados opositores: indivíduos A - os que são a favor do aborto; e indivíduos B - os que são contra. Trabalhemos com a hipótese de que, se no passado, as progenitoras dos indivíduos A, durante a gestação destes, tivessem aderido ao aborto (logicamente de forma ilegal), hoje, talvez, não teríamos quem lutasse pela legalização do aborto. O mais incrível é que, possivelmente, hoje, os indivíduos B achem interessante esse meu raciocínio, e, maquiavelicamente, sejam favoráveis a estes abortos específicos (“um mal necessário”, diriam). Mas, equivocam-se. Indivíduos B, eu lhes digo: se não existissem os indivíduos A, vocês também não “existiriam”, pois não teriam que lutar contra legalização alguma. E isso, eu sei, deixaria vocês, indivíduos A e indivíduos B, muito tristes, pois o que gostam mesmo e de lutar entre si… pelos direitos [é].

[Peço, por gentileza, aos comentaristas que deixem minha mãe e eu fora deste raciocínio paradoxal. Obrigado.]

_____

Seguindo a mesma linha do humor sem graça e de simulação de morte, vai aqui minha dica de filme: Bastardos Inglórios. assisti, gostei, e sei que muita gente não vai gostar.

10/07/2010 at 14:42 1 comentário

Entre-ato – Há braços… copos…

Abraço copo
Como abraço!
A vida… E a vida corre
Atrás da eternidade
À infinitude.

Encha copos
Que mata aos poucos
O pouco da vida
Que ainda temos
Troca tempo
Por solicitude.

(Vira o copo)
Como gíria
Que iras a terra come!
A baixa altitude
Que bebe
O corpo (copo da alma).

A poesia acima é de autoria de Ricardo Vilela (matéria) e Guidemerson Correa do Prado (forma).

10/07/2010 at 14:15 Deixe um comentário

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