Ato XIV – Existencialismo Gráfico
É imprescindível escrever. Escrever para registrar. Registrar para provar o trabalho. Quem não tem nada escrito, nada fez. Ideias somente pensadas e palavras somente ditas são levadas pelo vento. Conquanto escritas, ficam marcadas a ferro quente no lombo da história.

A existência é feita de tinta, e o chão, de papel. Existe, mais que outro, aquele que balança a pena como quem balança uma bandeira no alto de uma montanha. Existe, mais que outro, aquele que, por sua causa, árvores são derrubadas e transformadas em lâminas que cortam o tempo e preenchem estantes. Existe, mais que outro, aquele que exige o esforço alheio para que, com olhos, escute o que ele tem a dizer.
Descartes estava equivocado. “Escrevo, logo existo” – esta deveria ser sua máxima, pois, sendo uma verdade inquestionável, rege a nossa história. Assim sendo, sou forçado a afirmar: Sócrates não existiu. Quem existiu foi Platão. Na mesma ordem de ideias, o incêndio de Alexandria tirou de muitos o direito da existência.
[É incrível. Quanto mais o tempo passa, mais sem graça se torna esse blogue].
Entre-Ato – Duas coisas podem acontecer
Melhor Vídeo pelo júri e voto popular no Festival Mundial do Minuto 2000, Melhor vídeo de Jovem Realizador Festival de Salvador 2000, Direção Flavio Meirelles, locução Dênis Garcia.
Ato XIII – Decreto
A ASTROLOGIA. Considerada uma ciência até algum tempo atrás, foi destituída de sua posição por suposta falta de metodologia, de critério científico. Pois bem. Eu nasci no século passado, quando já não existiam cientistas astrólogos. Assim, sempre me foi dito que o horóscopo nada me ajudaria na busca pelo conhecimento. Um pouco contrariado, deixei João Bidu de lado e li Einstein.
Entretanto, nos últimos tempos percebi que o argumento pelo qual a Astrologia foi expulsa do mundo científico, não é aplicado com o mesmo rigor à todas as áreas que pretendem o conhecimento. Quando digo isso, me refiro especificamente à uma pseudo-ciência chamada Meteorologia. Não, ela não estuda os meteoros que caem na superfície terrestre – logicamente, se esse fosse o objeto, quase não haveria formação para tal área. A Meteorologia deveria, então, estudar as variações do tempo climático e fazer previsões a respeito. Mas só deveria. Suas previsões são tão imprecisas quanto às do zodíaco. Pior ainda: o horóscopo é vago, explicitamente vago. A Meteorologia (que significa “ciência do alto dos céus”), por sua vez, é pretensamente precisa, porém, é impossível contar quantas vezes já falhou. Mas todos os dias a mulher do tempo aparece, co
m seu sorriso de comercial de margarina, sem se desculpar pelo erro do dia anterior, a dizer: “Hoje fará sol, máxima de 30º e mínima de 20º, com vento leste de 35 km/h, bom para empinar pipa”. Lá vou eu de novo sem guarda-chuva para o serviço. Lá venho eu de novo ensopado com 45 mm de chuva forte.
Pergunto eu: “Qual a diferença entre Meteorologia e Astrologia?”
- (…)!?
A partir de hoje, decreto a Meteorologia tão ciência quanto à Astrologia. Melhor é rezar para São Pedro quando eu quiser que chova, ou consultar João Bidu para saber se devo ou não sair de casa.
Entre-ato – Compêndio dos Parafusos
A volta do mundo
da ferrugem ao fundo
do uso e desuso
este é Parafuso
Para tanto buraco existe emenda para tanto fuso chave de fenda
Aperto – atrito atroz pressão espana o grito de um giro em vão
Desce em espiral amor a dentro paixão de metal em acasalamento
[Pequena poesia de minha autoria que publiquei como Entre-ato por não tem que ver com o bjetivo geral do blogue]
Ato XII – De(fin)ição
- Ora, meu caro, como vinha lhe dizendo,
é mister que, ao passo que caminhamos, não demorará muito para a tecnologia nos levar ao novo mundo, à nova realidade, muito melhor que esta. Digo isto porque, como podemos observar, por exemplo, os vídeo-jogos estão cada vez mais realistas e mais interativos. O cinema, então, incorporou a tecnologia das três dimensões causando, muitas vezes, a confusão. Os televisores, por sua vez, adotaram tais recursos, além da alta definição plasmática ou líquida cristalina, ocasionando perplexidade visual aos espectadores. Aliados aos televisores, os reprodutores de vídeo nada carecem em definição, possuindo hoje em dia a tecnologia “Raio-Azul”, dão um espetáculo de imagens. E, para finalizar, há também os teatros caseiros que estão munidos com caixas de som de finíssima qualidade. Enfim, estamos quase em face de uma nova realidade artificial de altíssima definição.
- Mas, bom amigo, com tanta definição, como saberei qual realidade é real?
- (…)!?
- Vou consertar meu vídeo cassete!
Entre-ato – Ga Ga
Espero tê-lo decepcionado (caso você tenha menos de 18 anos), não há aqui nada relacionado à uma “garota” loira de sexualidade duvidosa (não é uma crítica, eu só tenho dúvidas realmente). O que desejo mostrar aqui é uma música da banda Queen, cujo o nome é “Radio Ga Ga”. Esta música servirá de prelúdio para o meu próximo Ato.
Aí está:
Tradução [letras.mus.br]:
Rádio Ga Ga
Ato XI – A doença
O filósofo é um doente. Sofre de uma patologia que faz dele escravo da explicação, do [improvável, impossível] entendimento de tudo. O cientista também tem tal enfermidade, mas não em estado agudo. Ele tem apetite para o entendimento, mas não o entendimento de tudo. Ainda pode ter contato com os sadios, principalmente porque não sabem que ele é um doente. O artista, por sua vez, igualmente ao filósofo, é auto-consciente de sua condição. Entretanto, sua doença é um pouco diferente, sua fixação não é pela explicação, é pela captura. E essa característica causa nele uma deformação na face, deixando sua pele totalmente lisa, como porcelana. Os sãos, então, passam a admirar sua beleza, sem dar conta de que ela [a beleza] é uma enfermidade. O destino do filósofo é mais cruel. Já foi diagnosticado como doente e sofre grande preconceito por isso.
Os sadios julgam que sua doença é oriunda da imprudência, falta de prevenção, e o acusam de querer transmiti-la aos demais. Tal doença não tem cura nem tratamento. O filósofo, diferentemente dos sãos, sabe disso, e, infelizmente, não tem opção. Só lhe resta aceitar e seguir o roteiro sintomático.
Entre-Ato – Monty Pynthon (II)
Desatualizado, eu sei. Enquanto a criatividade não brota, utilizo daqueles que a colhiam com sobra. Monty Pynthon, do filme “O Sentido da VIda”, da cena “Todo Esperma é Sagrado”.
Aí está:
Ato X – Amblose
Há algum tempo, escrevi neste blogue sobre o “Paradoxo Temporal do Tempero“, mais conhecido como PTT; alguns dias atrás, comecei a refletir sobre um repetido e polêmico assunto relacionado à ética na medicina: a legalização, ou não, do aborto. Percebi que este tema também possui um paradoxo temporal, e, agora, passo a acreditar que toda a História está repleta desses paradoxos – o difícil é identificá-los.
Vamos ao Paradoxo Temporal do Aborto. Acompanhem-me: Neste assunto polêmico existem dois lados opositores: indivíduos A - os que são a favor do aborto; e indivíduos B - os que são contra. Trabalhemos com a hipótese de que, se no passado, as progenitoras dos indivíduos A,
durante a gestação destes, tivessem aderido ao aborto (logicamente de forma ilegal), hoje, talvez, não teríamos quem lutasse pela legalização do aborto. O mais incrível é que, possivelmente, hoje, os indivíduos B achem interessante esse meu raciocínio, e, maquiavelicamente, sejam favoráveis a estes abortos específicos (“um mal necessário”, diriam). Mas, equivocam-se. Indivíduos B, eu lhes digo: se não existissem os indivíduos A, vocês também não “existiriam”, pois não teriam que lutar contra legalização alguma. E isso, eu sei, deixaria vocês, indivíduos A e indivíduos B, muito tristes, pois o que gostam mesmo e de lutar entre si… pelos direitos [é].
[Peço, por gentileza, aos comentaristas que deixem minha mãe e eu fora deste raciocínio paradoxal. Obrigado.]
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Seguindo a mesma linha do humor sem graça e de simulação de morte, vai aqui minha dica de filme: Bastardos Inglórios. assisti, gostei, e sei que muita gente não vai gostar.
Entre-ato – Há braços… copos…
Abraço copo
Como abraço!
A vida… E a vida corre
Atrás da eternidade
À infinitude.
Encha copos Que mata aos poucos O pouco da vida Que ainda temos Troca tempo Por solicitude.
(Vira o copo) Como gíria Que iras a terra come! A baixa altitude Que bebe O corpo (copo da alma).
A poesia acima é de autoria de Ricardo Vilela (matéria) e Guidemerson Correa do Prado (forma).
